História
As ancestrais memórias dos montes, castros e caminhos
A região foi habitada em eras remotas o que se encontra bem documentado pelos múltiplos vestígios da civilização dolménica ou castreja existentes em diversos lugares do concelho. Os marcos miliários que nela se encontram mostram, por sua vez, que uma importante via militar do conventus bracarense do império romano atravessava este território. Há vestígios de casas senhoriais e de ricas explorações agrícolas romanas.
Na época do domínio Imperial romano da Península presume-se que terá existido uma cidade de nome Cauca, localizada na via militar de Braccara a Tuy. Alguns autores antigos sugerem a hipótese de essa cidade, na qual teria nascido o imperador Teodósio, se situar no território de Coura, que derivaria daquela designação. Narciso Alves da Cunha defende que o topónimo Coura deriva da palavra celta Cora, lugar recatado e seguro.
São meras suposições. O documento mais antigo que se conhece é o que encerra uma doação de D. Teresa da igreja de Cunha ao bispo de Tui (refere-se aliás a uma anterior doação).
Julgado de Fraião e Terras de Coyra, coabitaram no território do actual concelho. A designação concelho aparece no reinado de D. João I, mantendo-se simultaneamente a de Terras de Coyra. O foral manuelino, de 13 de Abril de 1515, fixou o nome de concelho de Coura. Nessa altura, o limite norte chegava ao Rio Minho.
As mais recentes lembranças:
Depois das invasões napoleónicas, o Marechal de Campo Champalimaud, de origem francesa, maas que durante essa guerra defendeu a praça de Valença, construiu casa em Ferreira.
A reforma administrativa de 1834 pôs fim ao Julgado de Fraião. A actual designação de Paredes de Coura, foi adoptada apenas a partir de 15 de Setembro de 1875, data da criação da comarca, pela aglutinação dos nomes do concelho - Coura - e de uma das suas freguesias - Paredes.
Em 1941 o governo fascista de Salazar impôs ao nonagenário ex-presidente da Republica, Bernardino Machado, vindo do desterro, em França, em consequência da Invasão Alemã desse país residência fixa na Quinta de Mantelães, herança de sua mulher.
Geografia
Paredes de Coura situa-se no exacto centro do Alto Minho, delimitado por montes que o definem, protegem e ocultam, talhado pelo rio coura, cerzido pelas colinas interiores e os vales dos afluentes daquele rio, com ambientes e "habitats" preservados, paisagens variadas e belas, oferecidos pela natureza e moldados pelo milenar labor do Homem.
Com cerca de 138 Km 2 de superfície, está subdividido em 21 freguesias, confronta com os Arcos de Valdevez, a nascente, Vila nova de Cerveira, a poente, Ponte de Lima, a sul, Monção, a nordeste, e Valença, a noroeste.
Clima
Apesar da Serra D' Arga se interpor entre o Atlântico e Corno de Bico, o clima de Paredes de Coura ainda é marcadamente Atlântico. Por um lado, a menor altitude da Serra D' Arga (801 m) em relação à maior altitude de Corno de Bico (883 m), aliado à sua orientação em relação ao mar aproximadamente NW/SE e também existência dos vales fluviais e respectivos afluentes dos rios Lima e Coura, permitem uma plena e fácil penetração das massas de ar marítimas na região.
As temperaturas médias mensais variam entre os 8,6º C de Janeiro e os 21,4º C do mês de Julho, tendo-se atingido temperaturas mínimas nos meses de Inverno negativas (de - 5ºC) e máximas nos meses de Verão cerca de 40ºC (INMG 1991).
A pluviosidade atinge os 2700 mm e o número de dias no ano com precipitação superior a 0,1 mm ultrapassa os 150 dias. De acordo com dados reportados à estação climatológica mais próxima (Monção / Valinha), a humidade relativa do ar varia entre os 50% e os 80% dependendo do avanço do dia (Nota: não existem dados específicos da área). A precipitação sob a forma de neve é rara, tal como o número de dias de geada ocorrendo só nos meses de Inverno, mas quando acontece a intensidade e persistência são reduzidas (INMG 1991).
Património
O Património de Paredes de Coura é multifacetado e muito rico. A variedade deslumbrante do património natural e paisagístico, moldado pela intervenção milenar do homem, agricultor e pastor, num hercúleo esforço; o património construído, nas vertentes profana, marcada pela procura de funcionalidade e de acentuada ruralidade, ou religiosa - alminhas, cruzeiros, capelas e igrejas, imaginária e pintura - inspiradas pela fé e pelas crenças, que os artistas e artesãos locais produziam, criando ou reproduzindo modelos estéticos que os impressionavam.
Estes elementos de contemplação, reflexão e estudo, no seu conjunto, transportam-nos a um mundo que nos permite, passo a passo, descobrir a história e as tradições deste Concelho.
Gastronomia
A gastronomia é uma expressão de cultura e de bem viver. Os saberes e os sabores tradicionais evidenciam os produtos locais de que o homem dispunha para a sua alimentação e os modos e as formas que foi apurando para os tornar mais úteis, mais saborosos, mais agradáveis.
A gastronomia courense é um vasto e rico património, assente em produtos naturais e ecológicos, de uma sã economia rural. Da truta do rio Coura, onde abunda, aos enchidos, passando pelas carnes de cabritos e anhos criados nos nossos montes, é toda uma variedade de pratos regionais e de cozinha tradicional, de alimentação abundante em calorias mas equilibrada.
A doçaria, não muito diversificada, é no entanto rica, rica no conteúdo e no acentuado paladar. As filhós, as roscas, os biscoitos de milho, as rabanadas no vinho tinto e os famosos formigos aos quais o mel da região dá um toque de delicado sabor. Os paladares apurados e os sabores mais delicados foram alvo de múltiplos escritos, dentre eles, as várias referências do mestre Aquilino Ribeiro, na sua obra prima da Literatura Portuguesa "A Casa Grande de Romarigães".