Monção situa-se entre dois fenómenos geográficos distintos, o extenso e fértil vale do rio Minho e as escarpadas montanhas, sendo no sentido transversal, cortado por uma série de rios, ribeiros, riachos, que fertilizam a sua terra e permitem a ocupação a meia encosta. Ora, se os vales são propícios para a prática de agricultura também os terrenos de alta montanha são os ideais para a prática da pastorícia, não sendo então raros os vestígios de ocupação um pouco por todo o lado.
O rio Minho desde sempre constituiu um elemento atractivo para a fixação de populações nas suas margens, podendo-se encontrar, junto destas, vários achados arqueológicos, que testemunham um passado recheado de vestígios da passagem de diferentes povos, por estas terras; sendo já vários os achados pré-históricos, alguns deles datados do Paleolítico, encontrados nos terraços fluviais deste rio.
Assim como também já foram encontrados objectos líticos nos terraços fluviais do rio Mouro, entre as freguesias de Tangil e Podame.
Mas, se períodos houve em que se preferiram as zonas de vale, mais férteis, junto aos rios, noutros, porém, o medo de razias e invasões levou as populações a procurarem lugares elevados, com maior visibilidade e possibilidade de defesa, lugares não tão férteis mas com certeza mais seguros.
Por volta de 8 000/ 3 000 a C. que encontramos vestígios arqueológicos como as mamoas na Serra das Antas, ou as gravuras de Cambeses e de Chã da Sobreira (Podame).
Deste período desconhecem-se assentamentos/ povoados, mas sem dúvida a presença humana deste período faz-se marcar um pouco por todo o concelho, sempre em chãs ou cotos de meia altitude e em locais de boa visibilidade, propícios à transumância e perto de fontes de alimento e subsistência. Muitos desses locais vieram a ser continuamente reocupados dado o seu valor geoestratégico, como é o caso de alguns dos povoados proto-históricos.
Por volta de 500/100 antes de Cristo nota-se por todo o Noroeste Peninsular um crescimento demográfico, razão pela qual se assiste igualmente à multiplicação de povoados castrejos - caracterizados pelas suas obras de fortificação, pela estrutura social clânica e pela economia baseada na pastorícia e agricultura.
A distribuição destes povoados/ castros é relativamente homogénea pelo concelho monçanense e reflecte a densidade demográfica atrás referida, estando inventariados até ao momento cerca de duas dezenas de povoados dos quais três foram intervencionados nos anos 1980 e um, o de S.Caetano, está actualmente dotado de um Centro Interpretativo da Cultura Castreja presente no concelho(que irá abrir ao público em breve).
Já na viragem do século com a chegada dos romanos à Península Ibérica, estes introduzem novos hábitos, e instalam-se nas zonas mais baixas junto às margens do rio Minho, próximo da vila.
À volta da vila de Monção cadastraram-se alguns vestígios importantes que provam a existência de um povoado romano usufrutuário destas condições proporcionadas pela região. São eles a ara de Reiriz, a estatueta de Togado encontrada nas margens do Minho, junto a este local. Mas também a Necrópole de Cortes ou a Ponte da Rebouça em Troporiz, além de muitas outras notícias sobre a existência de vestígios aquando da realização de obras, sobretudo nos anos 1970 e 1980, a par de vários topónimos e microtopónimos.
A riqueza desta região em metais indispensáveis para armamento, utensilagem e joalharia, atraiu a cobiça dos povos nórdicos, a cujas invasões o império romano, então decadente, acabou por ceder. Assim, por volta do primeiro quartel do século V da nossa Era, a Península Ibérica invadida por visigodos e suevos, cabendo a estes últimos o domínio da parte exterior do Noroeste Peninsular, precisamente na área correspondente ao Entre-Lima-e-Minho.
A passagem do domínio romano para as monarquias visigodas, bem como a instalação destas últimas em território monçanense, é um campo muito lacunar tanto a nível documental quanto arqueológico.
Recorrendo-se à toponímica regional, pode-se verificar a existência de uma série de macrotopónimos e microtopónimos que nos sugerem, pelo menos a sua influência nestes locais, que nomearam com a linguística que os acompanhou.
Esta instabilidade forçou, então, as populações a procurarem pontos estratégicos no terreno, em torno dos quais se agrupam e organizam em defesa de um inimigo que periodicamente assombra as suas 2 terras.
Estes pontos de refúgio e controlo, vedados através de estruturas pétreas ou paliçadas, são os castelos roqueiros, implantados em maciços graníticos de grandes dimensões, de difícil acesso e de excelente visibilidade. Assim, se compreende a existência do castelo de Penha da Rainha e outros castros como o Monte Crasto, entre Cambeses e Longos Vales, tenham vestígios de cerâmica medieval.