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PROVE - Promover e Vender

Península de Setubal

Moita

O concelho da Moita, território integrante da Área Metropolitana de Lisboa (AML), situa-se na margem esquerda do Estuário do Tejo. A sua zona ribeirinha, com cerca de 20 Km de extensão, parece abraçar o rio, formando uma espécie de anfiteatro. E, na verdade, durante séculos, estas águas foram o palco da vida de muitas famílias que retiravam da actividade de transporte fluvial o seu "ganha pão". A evolução dos transportes terrestres e a instalação de indústrias na região ditaram o afastamento da população do rio. Hoje, ultrapassada esta dependência, o rio volta a chamar os habitantes deste concelho e também os visitantes que se façam à estrada para conhecer cada uma das seis freguesias que integram o seu território de 55 Km2: Moita, Sarilhos Pequenos, Gaio-Rosário, Baixa da Banheira, Alhos Vedros e Vale da Amoreira. Cada freguesia apresenta características muito próprias. O "sentir" da Moita é indissociável da afficion e da Festa em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem, uma das mais importantes romarias a Sul do Estuário do Tejo. Mas as histórias da luta da classe operária e o elevado associativismo que se registam na Baixa da Banheira também fazem parte da identidade deste concelho, assim como as marcas da actividade fluvial que durante séculos garantiu a subsistência dos principais núcleos urbanos. Resistem os canais e os estaleiros de construção naval, no Gaio-Rosário e em Sarilhos Pequenos, as embarcações típicas, que salpicam de cor as águas do Tejo e a memória de artesãos que reproduzem fiéis miniaturas de botes, varinos e faluas.

Varino - Barco típico do Tejo

A identidade do concelho está ainda enraizada num conjunto patrimonial - religioso, civil e ambiental -, distribuído um pouco por todo o território, merecendo uma visita atenta. A "alma" do concelho da Moita ficaria ainda incompleta sem os sinais da imigração e das sucessivas migrações. Estes estão presentes nas zonas mais rurais do concelho, onde os ranchos folclóricos e grupos etnográficos se empenham na preservação da memória colectiva, e na vivência do Vale da Amoreira, onde gerações de gente de vários pontos do país e de África misturam culturas, provando que a tolerância é possível e a diferença necessária.

Parque das Canoas

A população (cerca de 67 500 habitantes) distribui-se maioritariamente pelos sectores terciário (56%) e secundário (42%), deslocando-se diariamente para fora do concelho, no vaivém típico da AML.
Desde os primeiros vestígios humanos, datados de há seis mil anos, até à urbanidade da mais recente freguesia, existe aqui história rica a descobrir. A Moita é hoje um concelho moderno, aprazível, colorido e orgulhoso das suas origens e diversidade, entre a terra e o rio.

Tradições Rurais

Os produtos agrícolas do cabaz PROVE da Moita têm a sua proveniência das freguesias de Alhos Vedros e Moita, onde a actividade agrícola data do séc. XVIII, com a instalação dos chamados Caramelos.

As migrações dos povos Caramelos foram divididas em três fases: a primeira com a vinda de trabalhadores da Tocha para as quintas de Azeitão; a segunda para a Barra Cheia, Penalva e Arroteias de trabalhadores oriundos de Mira, Cantanhede; e a terceira fase para a região do Pinhal Novo.

A atribuição do epíteto "Caramelo", ficou a dever-se não só ao local de nascimento, Beira Litoral (concelhos de Cantanhede e Montemor-o-Velho), mas também ao estilo de vida que tinham as pessoas que vieram trabalhar e posteriormente se fixaram a Sul do Tejo, mais especificamente no Distrito de Setúbal. 
 
Os "Caramelos de Ir e Vir", no início vinham apenas para trabalhar sazonalmente, nas grandes herdades da região, sendo-lhes atribuídos os trabalhos mais pesados, na área da silvicultura, tornando os terrenos incultos em terras apropriadas para o cultivo de sequeiro. Após as colheitas regressavam à terra-mãe, com o objectivo de adquirir as suas próprias terras.

Ao longo do tempo foram-se fixando em terras foreiras, ou seja, terras cedidas pelos proprietários como forma de reconhecimento do seu trabalho, continuando até hoje a desenvolver com enorme mestria a arte de trabalhar a terra.

Casa Caramela nos Brejos da Moita

A Caramela

Em dia de mercado, a Caramela
Vestia cores vibrantes de organdim;
O cheiro dos pinhais vinha com ela
Das vinhas, dos quintais, do alecrim!

Seu peito trepidava, farto e belo,
No seu andar dançado, alegre e quente;
Com uma rosa brava no cabelo,
Ia acenando, a rir, para toda a gente!

No seu rosto a pintura natural
Das carícias do sol, pintor divino!
E em seu fecundo ventre um madrigal
À terra, sua mãe e seu destino.

De Valdera ao Terrim, a Caramela,
Da Barra Cheia até à Salgueirinha,
Da Atalaia à Serra de Palmela,
Só ela é soberana, é a rainha!

Aníbal de Sousa

Links
www.cm-moita.pt

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